Azia que aparece do nada, refluxo depois de comer, intestino que trava, barriga inchada, gases que não passam. Se você está grávida e reconhece algum desses sintomas, saiba que eles são extremamente comuns e têm explicação. Não é algo que você está fazendo de errado. É o seu corpo se reorganizando para sustentar a gestação.
A progesterona, um dos hormônios centrais da gravidez, relaxa a musculatura lisa do corpo inteiro. Isso inclui o esfíncter que fica entre o esôfago e o estômago. Quando esse músculo relaxa, o ácido gástrico sobe com mais facilidade, causando azia e refluxo. A mesma progesterona desacelera os movimentos do intestino, o que torna a digestão mais lenta e favorece a prisão de ventre, o acúmulo de gases e a sensação de inchaço abdominal. Com o avançar da gestação, o útero em crescimento também pressiona o estômago e o intestino, intensificando esses desconfortos.
Algumas mudanças simples no dia a dia podem ajudar bastante. Comer em porções menores e com mais frequência reduz a sobrecarga do estômago e diminui a azia. Evitar deitar logo depois de comer (esperar pelo menos 30 minutos) ajuda a manter o ácido no lugar. Beber água ao longo do dia, fora das refeições principais, mantém a hidratação sem dilatar ainda mais o estômago durante a digestão.
Para o intestino, as fibras são grandes aliadas, mas precisam ser introduzidas aos poucos. Frutas com casca, verduras, aveia, sementes de linhaça e chia ajudam a dar volume e maciez às fezes. Aumentar as fibras sem aumentar a água pode piorar a constipação, então os dois precisam caminhar juntos. Vale também prestar atenção à suplementação de ferro: ela é necessária em muitas gestações, mas é uma causa conhecida de prisão de ventre. Se esse for o seu caso, converse com quem acompanha seu pré-natal sobre formas de minimizar esse efeito.
Esses sintomas costumam variar ao longo da gestação. Alguns aparecem com força no primeiro trimestre e melhoram, outros surgem mais no final. A boa notícia é que, na grande maioria das vezes, eles são funcionais e passageiros. Entender o que está acontecendo no seu corpo já é um primeiro passo importante para lidar com esses desconfortos com mais tranquilidade e menos culpa.